quinta-feira, abril 13, 2006

Quem competirá com eles?

Como já havia mencionado, essa semana fizemos uma reunião com um de nossos parceiros para analisar a viabilidade de desenvolver um produto com preço inferior aos oferecidos atualmente no mercado. Para isto, foi necessário mensurar todos os custos que teríamos com a produção e também outros fatores preponderantes à decisão (ROI, riscos, concorrentes, nicho de mercado, etc.).
Percebemos que o gargalo para conseguir a tão sonhada redução nos custos de produção estava em uma placa eletrônica que não existia nem em distribuidores aqui no Brasil: Teríamos que importar! Nesse ponto entra nosso parceiro: Empresa especializada em desenvolver sistemas embutidos. Solicitamos um estudo de desenvolvimento de um hardware semelhante ao que teríamos que importar. Sabe qual foi à resposta? Impossível competir com os preços asiáticos! E sabe o por que?
Existe uma lei que estabelece como propriedade intelectual o segmento software (e tantos outros como livros, discos, etc.) e sendo assim, produtos dessa natureza pagam quase nada de impostos (para estimular sua produção e blá blá blá...).
E como essa lei também é aplicada aos produtos importados, o que nossos amigos asiáticos fazem? Estipulam que seus produtos são compostos por uma grande parcela de software e o resto é hardware. Vamos exemplificar: Um no-break, ao ser importado, é declarado como sendo 80% software e 20% hardware. Isso reflete a realidade? Claro que não! E o qual é o resultado? O preço acaba sendo muito baixo... Muito mesmo! Mas não é só esse motivo que determina o preço deles, mas também exploração de mão-de-obra, baixa carga tributária, etc, etc. E o que acontece com fabricantes nacionais? Fecham! Você conhece algum fabricante de no-break’s genuinamente brasileiro? Eu não.
Para encurtar a história: Congelamos a idéia de desenvolver tal produto e estamos estudando várias possibilidades, desde descartá-la até buscar um parceiro estratégico no exterior que nos forneça equipamentos a um preço atrativo... Ao invés de buscarmos soluções dentro do nosso país, optamos pelo mercado asiático... Ou então seremos extintos do mapa!
Alguma sugestão?