quarta-feira, maio 17, 2006

Vamos negociar?

Depois de uma longa temporada sem publicações, cá estou tentando achar um tempo, por menor que seja, para compartilhar mais algumas experiências.
Antes de começar quero só explanar que meu afastamento do blog teve um sério motivo: Agora sou um pai de família! Não não! Não vou ser papai não... É que finalmente casei e por isso tenho que garantir o sustento de casa; ou você acha que é fácil manter dois carros importados, um limite de 10 mil reais de cartão de crédito à esposa e uma TV de plasma de 42’’? :c)
Vamos ao que interessa. Semana passada comprei uma revista chamada “Seu Sucesso” que, apesar de ter achado muito água com açúcar, tinha uma citação muito interessante sobre a importância da negociação.
O autor da matéria da capa citou que, há algum tempo atrás, quando ele foi ao Egito fazer uma matéria sobre o Rally Dakar, percorreu um trajeto por onde a prova aconteceria e logo de início se deparou com uma dificuldade um tanto quanto simples (pelo menos até então) que era a falta de combustível do automóvel que ele estava conduzindo. Até aí tudo bem. O problema estava quando ele parou o veículo no posto de gasolina e reparou que não havia preço algum nas bombas! Foi então que um piloto do Rally que o acompanhava lhe explicou o motivo: O preço é negociado na hora! Isso mesmo, o dono do estabelecimento estipula o preço do combustível de acordo com o cliente que ali parava.
Naquele momento o autor percebeu o verdadeiro espírito de negociação que havia naquele país. Claro que naquela situação o dono do estabelecimento jogou o preço do combustível nas alturas, e como ele estava sem opções, teve que pagar. Porém, talvez se o dono do posto soubesse que ele era um novo morador do bairro ali ao lado as coisas seriam diferentes, pois é inerente da natureza desse país a percepção de que se ele colocar um preço bem atrativo ele estaria fidelizando um cliente que sempre estaria retornando ao se posto para abastecer. Que mudança de paradigma heim?!
Para se ter uma idéia desse espírito “negociante”, o mesmo ocorre com os táxis, pois todos que circulam naquele país não têm taxímetro! E qual é o preço da corrida? Vai depender do seu poder de negociação!
De fato não sabia disso. E a pergunta que fiquei na cabeça depois de terminar a leitura era essa: E se esse modelo fosse transportado ao Brasil? Simples, não funcionaria nem de longe! Aqui as pessoas têm vergonha de negociar a forma de pagamento, talvez por pensarem que dessa forma acabam expondo uma fragilidade financeira ou social. Enfim, só sei que quando entro em alguma loja e peço uma condição melhor para o pagamento (seja através de algum desconto ou um parcelamento mais flexível), na maioria das vezes, não há a menor forma de se negociar! E onde está o problema? Seria na nossa cultura? Ou seria pura comodidade?
Abraços e até a próxima!